Eu consigo sentir meu coração, palpitando tão
lentamente, tão gentilmente.
Fraco, fraco. No entanto, é a felicidade pra mim
Fraco, fraco. No entanto, é a felicidade pra mim
Thump.
Ouvi o doutor dizendo: “Como isso aconteceu?”.
É algo hilário pra mim, ninguem sequer vai
saber o que aconteceu. Todos eles apenas vêem grandes feridas no meu peito,
achando que eu fui atacado perto de casa. A verdade é que não foi nada disso
que aconteceu, mas nenhum deles conseguirá saber disso
Thump.
“Me desculpe. Mas, eu já não creio que nós
podemos fazer no ponto que ela está… Seus batimentos cardíacos estão
extremamente fracos, e o corpo dela não faz nenhum esforço para se curar...
Olha, nós podemos livrar ela do sofrimento agora... ou então, podemos deixar o
corpo dela desse jeito. A escolha é sua.”
Eu não tinha uma única palavra para dizer
nesse meu destino. Se eu fizesse esforço o bastante, eu poderia dizer a eles o
que eu quero. Porém, uma pessoa que está em leito de morte não tem uma voz
nesse mundo. Uma pessoa como eu nunca é ouvida, uma pessoa como eu no estado
que eu estou, aparente agora, é uma indivíduo sem vontade nenhuma. Simplesmente
deixamos o nosso destino para aqueles que estão a nossa volta decidirem o que
eles queiserem.
Thump.
Eu ouvi um som estridente ao lado da minha
cama, alguém empurrando uma cadeira para trás de si. Eu sabia que era a minha
mãe porque o doutor não estaria fazendo isso, sem mencionar que sua cadeira era
uma daquelas que tinham rodas nela. Sua cadeira não rangeria daquele jeito. Eu
ouvi uma profunda respiração, alguém exalando.
“Apenas deixe ela morrer naturalmente. Estou indo embora daqui”.
A porta
bate... O Silêncio agora é absoluto.
Thump.
Ouvi um suspiro. O doutor se moveu até o
lado da minha cama.
O doutor se moveu até o lado da minha cama
com um suspiro. “Ela sequer sabe que eu conhecia você fora dessa visita de
hospital...”
Ele colocou meu cabelo por cima da minha
cara.
“Vamos fazer isso lento e legal. Eu sei que
você se irá logo, mas até lá... Abrace a dor, vá de encontro a ela. Vá até onde você pertence.”
Thump.
Thump.
Ele
começou a cantarolar, uma música que eu reconhecia, era uma em que eu estava
trabalhando antes de eu decider isso. Antes deu
odiar tanto o meu coração que eu queria que sumisse, antes de eu cortar o meu
peito e tentar arrancar o meu coração. Antes de eu desmaiar por perda de sange.
Antes de eu me
levarem pro hospital por alguém que havia assistido toda a coisa. Antes de me pôrem nesse quarto com um amigo meu, aquele que
costumava me ajudar quando eu fugi de casa. Antes da minha mãe vir aqui
simplesmente porque ela foi forçada a isso, não se importando com a filha dela
que estava praticamente morta. Antes de eu decidir que eu precisava encontrar a
minha paz.
Thump.
Thump.
“Não se preocupe,” Ele disse. “Tudo vai ficar bem agora. Só relaxe, Respire fundo e deixe a natureza seguir o seu curso. Tudo vai ficar bem. Você não tem que se preocupar com alguém ou alguma coisa externa. Deixe os seus músculos sumirem”.
Até que eu senti algo molhado acertando meu
braço. Ele estava chorando por mim, algo que ninguém havia feito.
Thump.
Eu vejo uma luz agora. Eu sinto tudo
padecendo, eu estou à deriva, indo para onde eu pertenço. Finalmente sinto
alguma paz.
“Está tudo bem agora, está tudo ok.”
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