terça-feira, 12 de julho de 2016

Está tudo bem

Eu consigo sentir meu coração, palpitando tão lentamente, tão gentilmente.
Fraco, fraco. No entanto, é a felicidade pra mim

Thump.
Ouvi o doutor dizendo: “Como isso aconteceu?”.
É algo hilário pra mim, ninguem sequer vai saber o que aconteceu. Todos eles apenas vêem grandes feridas no meu peito, achando que eu fui atacado perto de casa. A verdade é que não foi nada disso que aconteceu, mas nenhum deles conseguirá saber disso

Thump.

“Me desculpe. Mas, eu já não creio que nós podemos fazer no ponto que ela está… Seus batimentos cardíacos estão extremamente fracos, e o corpo dela não faz nenhum esforço para se curar... Olha, nós podemos livrar ela do sofrimento agora... ou então, podemos deixar o corpo dela desse jeito. A escolha é sua.”
Eu não tinha uma única palavra para dizer nesse meu destino. Se eu fizesse esforço o bastante, eu poderia dizer a eles o que eu quero. Porém, uma pessoa que está em leito de morte não tem uma voz nesse mundo. Uma pessoa como eu nunca é ouvida, uma pessoa como eu no estado que eu estou, aparente agora, é uma indivíduo sem vontade nenhuma. Simplesmente deixamos o nosso destino para aqueles que estão a nossa volta decidirem o que eles queiserem.

Thump.

Eu ouvi um som estridente ao lado da minha cama, alguém empurrando uma cadeira para trás de si. Eu sabia que era a minha mãe porque o doutor não estaria fazendo isso, sem mencionar que sua cadeira era uma daquelas que tinham rodas nela. Sua cadeira não rangeria daquele jeito. Eu ouvi uma profunda respiração, alguém exalando.
“Apenas deixe ela morrer naturalmente. Estou indo embora daqui”.
A porta bate... O Silêncio agora é absoluto.

Thump.

Ouvi um suspiro. O doutor se moveu até o lado da minha cama.
O doutor se moveu até o lado da minha cama com um suspiro. “Ela sequer sabe que eu conhecia você fora dessa visita de hospital...”
Ele colocou meu cabelo por cima da minha cara.
“Vamos fazer isso lento e legal. Eu sei que você se irá logo, mas até lá... Abrace a dor, vá de encontro a ela. Vá até onde você pertence.”

Thump.

Ele começou a cantarolar, uma música que eu reconhecia, era uma em que eu estava trabalhando antes de eu decider isso. Antes deu odiar tanto o meu coração que eu queria que sumisse, antes de eu cortar o meu peito e tentar arrancar o meu coração. Antes de eu desmaiar por perda de sange. Antes de eu me levarem pro hospital por alguém que havia assistido toda a coisa. Antes de me pôrem nesse quarto com um amigo meu, aquele que costumava me ajudar quando eu fugi de casa. Antes da minha mãe vir aqui simplesmente porque ela foi forçada a isso, não se importando com a filha dela que estava praticamente morta. Antes de eu decidir que eu precisava encontrar a minha paz.

Thump.

“Não se preocupe,” Ele disse. “Tudo vai ficar bem agora. Só relaxe, Respire fundo e deixe a natureza seguir o seu curso. Tudo vai ficar bem. Você não tem que se preocupar com alguém ou alguma coisa externa. Deixe os seus músculos sumirem”.
Até que eu senti algo molhado acertando meu braço. Ele estava chorando por mim, algo que ninguém havia feito.  

Thump.

Eu vejo uma luz agora. Eu sinto tudo padecendo, eu estou à deriva, indo para onde eu pertenço. Finalmente sinto alguma paz.


“Está tudo bem agora, está tudo ok.”

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